segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Churrasco com Grelha

























Já se passaram 48 horas e só agora consegui achar o prato que homenageia São Paulo. Mentira, não encontrei nada, fiquei desde o sábado dia 25 quando acordei até esse momento enquanto voltava da rua com a minha cachorra, pensando e nada.
Enquanto escrevo na minha sanduicheira chia uma torrada simples, ou misto-quente como chamam por aqui, mas lá no Rio Grande do Sul, não se esqueça, peça uma torrada.
Eu realmente não sei que comida representa São Paulo, no meu google coloquei na busca "prato preferido de Adoniram Barbosa", veio um monte de coisa e um monte de botecos.
Então pensei na minha chegada aqui.
Pera aí, a torrada ficou pronta.
Quanto eu cheguei aqui, caminhando pela Sé, minha namorada me mostrou um churrasco grego, o preço e a enorme popularidade que este tem me deixaram perplexo, depois de ver é que o aroma chegou em mim. E com ele todo o fascinio, quando passava por uma máquina no centro, no Largo da Batata ou no Largo 13 onde fui trabalhar, prometia para mim mesmo, como se eu visse uma mulher muito gostosa... "Um dia eu vou te comer".
Mas de que adianta fazer uma receita de churrasco grego? Esse a gente tem que comer na rua, temperado com todo monóxido da metrópole. Fazer isso em casa seria uma heresia. Pensei então na clássica frase paulistana, "um chop's e dois pastel", porém, todo mundo sabe como fazer um pastel, e vale o mesmo, que graça tem de comer senão quentinho da feira, até dá pra pegar na feira e comer em casa, mas a graça toda tá na feira.
Pensei também em pão na chapa, mas esse tinha sido o meu post anterior. Cheguei a ficar brabo comigo mesmo por isso... Podia ter segurado o post na gaveta e soltado no dia do aniversário de São Paulo, essa coisinha tão simples, mas que só conheci nessa maravilhosa cidade que acha que padaria é templo sagrado, e Deus abençoe a farinha, os ovos e os portugas, porque aqui sim tem padaria boa. Nosso amor foi ficando cada vez mais forte alí sentindo o cheiro da manteiga.
Então parei e pensei, quando vim pra cá fui fazer minha primeira assistência em fotografia na Vila Leopoldina, na pequena Rua Quiari. Conheci o fotógrafo, trabalhamos um pouco, daí chegou a hora do almoço. Saí e fui em busca de uma padaria, com muito pouco dinheiro no bolso procurei algo na padaria Leopoldina que estivesse dentro das minhas posses. Ouvi anjos cantando no meu ouvindo fazendo aquele coro, "ÓOOOOOOOOHHH", quando li no cardápio, churrasco no pão com queijo. Imaginei uma costela, três ripinhas só, um pão cacetinho com um queijinho derretido, mas chega o prato inox com um pão francês cortado no meio, dentro um contra-filé com queijo derretido, e antes que eu pudesse reclamar, me dei por conta que eu estava em São Paulo, até porque o pão no Rio Grande do Sul é horrível... Comi e nos amamos, um lanche muito gostoso, barato que virou meu companheiro nesses 12 anos de Ipiranga com São João. Se estou numa padaria e me encontro numa pequena dúvida, churrasco no pão!
Não existe outro sanduiche, agora virou até controle de qualidade, se visito um lugar pela primeira vez, peço um churrasco no pão e uma limonada suíça. No entanto, ainda assim não é o prato que representa São Paulo.
Foram 23 anos morando em Santa-Maria, cheguei aqui num 20 de setembro, dia do gaúcho. Lá em Santa-Maria poucas vezes me atrevi a assar um churrasco, todo mundo aqui olha pra um gaúcho e pensa 3 coisas, toma chimarrão todo dia, é gay e sabe assar um churrasco.
Pois, nem todo gaúcho sabe assar um churrasco.
Quando eu fiz 10 anos meu pai resolveu me ensinar o ofício. Não tive sorte, derrubei a linguiça no fogo, aliás, ele me deu essa culpa, tirava sarro de mim, mas até hoje acho que foi ele que derrubou, ficou com vergonha e passou a bola pra mim. Perdi a confiança, meu irmão se tornou assador.
Com meus amigos, eu fazia o carreteiro no acampamento, mas o churrasco tinha quem cuidasse. Luiz Fernando, Alemão, esses eram os assadores. Todo ano quando eu voltava para as festas de fim de ano, ou alguma visita no meio dele, meu pai oferecia uma ovelha e meu sogro também, quando meu pai me via me ensaiando pra assar já sabia que algo podia dar errado. Mas eu dizia...
– Calma pai, já chamei o Luiz Fernando...
– Mas bah, o Luiz Fernande é um baita assador!
Noutras dizia que quem ia assar era o Alemão...
– Ah não, então tamo tranquilo...Se é o Alemão tá loco de especial!
Eu, bueno, eu ficava de canto, assistindo, depois tomava cerveja e jogava um truco, mas sempre afastado da churrasqueira. Depois que vim pra São Paulo me apaixonei também pela cachaça, daí ficou pior... Porém sempre contei com bons amigos e bons assadores, meu irmão e meu concunhado Giovani, que na casa dele tomava conta de todo jantar, coisa bem boa o churrasco do Rodrigo e do Gi. Até minha sogra é boa assadora. O que não é novidade pra quem cozinha bem.
Essa seria minha sina! Um gaúcho que não faz churrasco!
Porém São Paulo tem seus mistérios, e numa mudança de apartamento ganho um último andar e uma sacada. Toda sexta-feira o cheiro do boteco da esquina vem subindo as escadas, vem se entranhando devagarzito e traz aquele aroma do churrasco.
Chega a hora de comprar uma churrasqueira, a minha churrasqueira. Compro. Na verdade tento dar um golpe num irmão, aquele irmão que a gente escolhe, o amigo Cairale. Acho que consigo, ele que paga a primeira churrasqueira.
Agora vem o difícil, assar o churrasco.
Então aparece um outro grande amigo.
Fábio Dias, esse entende do riscado, ele é do tipo que faz fogo com água, conhece todos atalhos do churrasco. Fábio me ensinou do fogo, ao tempo de girar a carne, até o fim, lavar os espetos, essa parte ainda não tenho total domínio, "mas vamo tentiando" como dizem nossos patrícios.
Por falar em espetos, o curioso é que aqui nem todo prédio tem churrasqueira, mas toda churrasqueira tem uma grelha. Eu gaúcho que sou, sempre tive preconceito com a grelha. Onde já se viu? Churrasco se faz é com espeto.
No primeiro aninho de Alice, chegamos no salão de festas do prédio e só tinha grelha, saí em busca de tijolos, comprei e caminhei um quarteirão com 12 tijolos para travar os espetos...
O Giovani que assou e ficou bem bom, e os tijolos foram bem úteis. Porém um dia me vi sozinho, com poucos espetos e uma grelha, não tinha a sabedoria missioneira de Fábio Dias, então peguei uma fraldinha, que no sul chamamos de vazio, e debrucei toda peça na grelha, imaginei que o capitão Rodrigo Cambará ia aparecer num sonho querendo acertar as contas e fazer a pernita do R na minha cara, nesso momento eu diria...
– Vai primeiro na casa do Jayme Monjardim e faz um estrago nele do tamanho que ele fez com a obra do Érico Veríssimo.
Pois é, achei que a grelha ofenderia todo o Rio Grande, que eu não poderia mais colocar os pés no aeroporto Salgado Filho. Mas que a carne ficou boa, isso ficou. Fábio Dias chegou a dizer que aprendeu isso comigo, o que é uma grande honra, o aluno surpreender o mestre.
Nessas 48 horas que pensei qual seria o prato típico paulistano, penso, penso e chego no churrasco, pior, na grelha usada pelos irmãos da região sudeste. Hoje, nesse um ano e meio de casa nova, estou na quarta churraqueira de lata, uma aqui em casa e duas espalhadas, a outra perdeu o fundo. Tenho também 4 grelhas, 12 espetos simples e 4 espetos duplos, no mais perdi as contas de quantos rebanhos assei.
Mas o melhor nessa São Paulo foi esse dia 25 de janeiro de 2014, aniversário da cidade, minha amiga Simone me faz um singelo apelo, "vem fazer um churrasco aqui em casa, precisamos de um churrasco".
Pois é gauchada, São Paulo fez de mim um assador, um churraqueiro sem preconceitos, sem medo de usar a grelha, botando na brasa muito mais amor que ainda insistem em dizer que não tem por aqui. Feliz aniversário São Paulo, a cidade plural, que não sabe fala os plural, mas onde todo mundo é mano! É nóis!
  
Ingredientes: 
• Grelha 
• Fraldinha 
• Sal grosso

Modo de preparo: 
Faça o fogo na sua churrasqueira, depois coloque sobre a grelha a peça de carne, não coloque o sal. Depois de assar um pouquinho, vire e adicione o sal, deixe a parte sem sal virada para o fogo. Vire novamente e adicione o sal. O resto é churrasco, vá no seu instinto, todo mundo tem, só o gaúcho que acha que tem mais... 

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O Criolo tá errado!





















No dia 15 de janeiro de 1966, Renato Luiz Toscani casou-se com Roselene Neme Raymundo. Se amaram muito, e ainda se amam. Renato ficou viúvo.
Hoje estariam comemorando 48 anos desse amor.
Também hoje uma senhora caiu na rua, em frente a padaria onde comi meu primeiro pão na chapa, algo desconhecido para um gaúcho. Foi um tombo feio, e ela tinha acabado de sair de uma ótica e o seu óculos estragou.
Levantei a senhora, sentei ela no banco da padaria, entrei como se o lugar fosse meu. Pedi um copo de água mineral, gelo, tirei os lenços umidecidos da minha bolsa, enrolei um gelo no lencinho e coloquei na sua testa.
– A senhora segure assim com o lencinho, para não queimar a pele, vou ali na farmácia comprar um band-aid e já volto.
– Nossa, obrigado moço, mas não precisa se preocupar...
– Não deixo a senhora sair daqui até que esteja se sentindo muito bem! Já volto!
– Por quê você é tão bom?
– Meu pai e minha mãe me ensinaram isso...
Deixei ela por uns isntantes e voltei com água oxigenada, gaze e o band-aid, acompanhei ela até a porta do banheiro e entreguei o que acredito ser o kit de sobrevivência para as estranhas ruas de São Paulo. Logo em seguida ela voltou...
Contou que tinha operado um olho da catarata e que estava com medo de que tivesse batido o olho e estragado todo procedimento.
Sentamos, um de frente pro outro.
– Está muito inchado?
– Menos do que quando a senhora chegou aqui...
– Estou com medo...
– Nada, a senhora foi bem rápida, colocou as mãos na frente. A senhora mora perto?
– Sim, logo aqui em frente...
– Quer ficar com meus óculos? Fico com seu endereço depois eu pego...
– Não, não precisa, tenho outros em casa, um até é maior, mas tinha acabado de sair da ótica...
– Bueno, precisando...
– O que você faz da vida além de ser bom-samaritano?
– Eu sou fotógrafo...
– Humm...E não vai me dizer quanto gastou comigo?
– Não!
– Você foi meu aluno?
– Não. não sou daqui, sou gaúcho...A senhora é professora de que?
– De literatura na USP...
– Uau, gosto muito de literatura...
– Então pelo menos escreva seu nome e endereço para que eu possa te enviar um livro meu...
– Opa, isso eu faço!
– Toma, eu tenho caneta...
– Bom quando a senhora estiver se sentindo melhor me avisa que eu te levo pra casa...
– Até isso?
– Pois, não vou deixa-la sozinha.
– Bom, podemos ir...
– Ô Cláudio, quanto deu a água?
– Pelo menos a água eu posso pagar né?
– Pode...
Saímos da padaria e caminhamos alguns poucos passos e chegamos na casa da professora.
– Obrigado!
– Que é isso...Nem precisa agradecer.
– Vou te mandar meu livro...
– Ah, isso precisa, hahahahahahaha...

Ela foi embora, e eu voltei.

Ontem, ajudei outra pessoa na rua.
A rodinha do carrinho de compras dela tinha quebrado, tentei resolver com uma das borrachinhas que envolvem minhas geleias, mas não deu certo.
Daí me ofereci para caminhar alguns quarteirões com as compras.
Só me deixou levar o carrinho, mas deixei ela em casa.
Pois é, estou sentindo que em 2014 estou deixando de ser "para-raio de loucos" e me tornando "para-raio de pessoas que precisam de ajuda" e estou muito feliz com essa promoção, com essa subida na carreira. Foi difícil ser "para-raio de loucos por 34 anos"...
Meu pai e minha mãe não me deixaram muito dinheiro, no entanto me deram muito amor e educação, e esse é o maior presente que posso dar no aniversário de casamento deles, mostar que aprendi e passar adiante seus ensinamentos. Acho que Alice vai fazer melhor do que eu.
O mais legal é que meu pai sempre foi o pão e minha mãe a manteiga, nasceram um pro outro.
Que em 2014 por mais simples que seja a sua receita que não falte nela nem amor e muito menos sabor. Pouco importa quantos pães e quantas manteigas você vai experimentar na vida, ou se nunca vai deixar de experimentar outras ou outros. Já eu continuo fiel a uma marca e por mais que às vezes não esteja do meu agrado e um pouco rançosa, tem dias e na maioria deles o sabor é inigualável, irresistível, insuperável. Afinal de contas, ela ainda é minha marca predileta!
Então feliz 2014, pois com amor, outros felizes virão!

Ingredientes:
• pão
• manteiga
• chapa ou frigideira

Modo de preparo?
Se liga no Stevie Wonder!





quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Ela não anda ela desfila!
















Fomos até a semana de moda de São Paulo e constatamos que é verdade! As geleias Culinária Tosca estão a venda para o deleite dos fashionistas.
Ricardo Toscani o criador da marca buscou inspirações na feira paulista, o gaúcho, que nem a ativista do Greenpeace, desde que chegou na terra da garoa, conta que uma vez por semana se alimenta de pasteis e caldo-de-cana, diz não se importar com os quilinhos a mais que esta vida desregrada lhe proporciona. Foi sentado comendo um especial de carne e um calabresa, que ao olhar aos arredores da feira ficou encantado com as pimentas, morangos e abacaxis encontrados nessa que é a verdadeira praia dos paulistanos.

A marca aposta muito na brasilidade e toda a cor que a feira pode proporcionar para deixar o inverno mais quente, e claro, muito mais colorido.

Perguntado sobre a quantidade de açúcar em seus produtos, Tosca, como é chamado nos backstages, veio com a frase mais clichê, porem nada blasé...
"O que não mata engorda, e para o que engorda, moletom."

Questionado sobre as receitas não serem suas, Tosca defende a globalização, e acha que a informação está aí pra todo mundo, basta dar um google. Mas garante que é tudo receita de familia, receitas de sua sogra, tipicamente gaúchas, que nem a ativista do Greenpeace.

Várias personalidades do mundo da moda, segundo nossas conversas imaginárias, estão encantadas com essa que é a grande estreia da temporada.

Confiram nossas falsas aspas.

"Essa geleia não passa no pão, ela desfila."
(Paulo Borges)

"Daria toda minha beleza por essas receitas e a mão esquerda de Tosca, e se ele quiser pode Ficar com a Fernanda Lima."
(Rodrigo Hilbert)

"Tenho o direito de engordar."
(Gisele Bündchen)

"Moderna, leve, exótica, dá pra usar com tudo, queijos, pães, jeans."
(Lilian Pacce)


"                                       "
(Alexandre Herchcovitch)

As geleias Culinária Tosca, estão na FFW Shop, na São Paulo Fashion Week, que nesta temporada está na tenda do parque Villa Lobos e custam apenas R$ 20,00, nos sabores morango, pimenta com abacaxi e pimenta. Destaque também para ambrosia que custa R$ 25,00.


























Fotos: Ricardo Toscani/Zanone Fraissat; Alice/Lucia Farias

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Estou ficando fresco

















Tô ficando fresco.
O que acontece ao certo eu não sei.
Alguma coisa dentro de mim.
Eu abri a geladeira e vi alho poró.
Fui no mercado. Isso é cotidiano.
Por mais estranho que pareça, comprei tofu, isso sim é estranho.
No entanto, defumado.

No caminho gelado do mercado passei pelos iogurtes e massas frescas,
me encantei pelas folhadas.
Já em casa pico a cebola, alho de matar vampiro e também do poró.
Choro, não só pela cebola, também arde o poró, ô dó.

Ligo o fogo, jogo açúcar no fundo de uma panela de ferro.
A ferro e fogo, jogo a cebola no óleo açucarado.
Doura, está bela, jogo a manteiga, vira fera.
Refogo agora o normal e o poró.

O tofu é picado, em cubinhos.
Já misturado, o recheio está pronto.
Tem pouco sal,  jogo na mão, da mão pra panela
chega ao final, agora está pronto, sensacional.

Esfria, já é noite.
Abro a massa na forma, o forno tá quente.
São 180º, uma guinada na vida, não tem carne afinal...

Unta e põe o recheio.
Rala um queijo, joga no meio.
A rima é óbvia.
Põe a massa de cima, pincela ela com ovo,
como ela queria.

Agora é forno quente.
O tempo é o cheiro.
Ou 22 minutos pra quem tá faminto.
Chato falar de ovo e não rimar com pinto.


Viram!
Estou fresco, dando receita de massa comprada na forma de poesia.
Mas o que sinto é o que está dentro de mim!
É o recheio!
E esse meus amigos vejam só que final feliz.
Eu mesmo que fiz.

A poesia ruim é a forma mais primitiva de vergonha alheia.

Ingredientes.

• 1 pacote de massa folhada para pastel de forno, vem duas, uma é a base, a outra o topo.
• 2 alhos porós
• 1 cebola
• 3 dentes de alho
• 1/2 tofu defumado












sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Vini, vindi e falhei (13 dias sem pão, 13 dias sem cerveja)


















A melhor maneira de livrar-se de uma tentação é ceder-se a ela...
Pois é me escorando na frase de Oscar Wilde que tento minimizar o meu fracasso.
Sim eu não consegui ficar 13 dias sem pão, mas antes sucumbi a cerveja. Caí primeiro para ela, loira, gelada e muito gostosa.
Foram sete dias de batalha, muito ceral, iogurte, saladinha, entoando o mantra bolacha não é pão.  
Tive medo, me senti sozinho, desamparado, recorri aos exercícios físicos, parei de sentir meu corpo.
Sim as pedaladas foram e são prazerozas, as abdominais não, ao contrários as abdominais são abomináveis.
No entanto aprendi que posso encher meu prato de salada e ludibriar meu estômago, claro que fica difícil enganar as papilas gustativas, mas seguimos tentando.
Porém, certo dia na casa de uma amiga, resolvemos tocar o tal do rock and roll, e este sem cerveja não é nada, não tem sentido. Então bebi, toquei e foi lindo. Percebi, realmente o álcool ressalta o meu talento.
O pão demorou mais, fui mais forte, resisti um pouco mais, mas no dia 25 de setembro fui vencido por três, digo, seis mini hot-dogs...
Cachorrada, mas fazer o que? O importante é lutar, vencer é bom, mas nem sempre conseguimos.
Hoje, estou em Santa Maria, ontem cheguei e comi um Xis, pra quem não sabe Xis é um pão que tem uma dispensa inteira dentro dele, tira-se o miolo do pão pra não engordar muito...Para acompanhar, claro, algumas cervejas.
O café da manhã de hoje teve umas coxinhas, uns risólis, pastelzinho de carne e muito chimarrão.
Bueno, foram 7 dias, sem cerveja e 10 dias sem pão, agora estou normal, bem humorado e bem comigo mesmo, estou tipo gostosa que se acha gorda.
Percebi algo importante, eu não quero ficar com barriga tanquinho, não combina comigo, quero ficar com uma barriga chapada, o único jeito é seguir a dieta do Iggy Pop e do Keith Richards, com muita farinha e destilados. 
Portanto acho que vou começar uma nova dieta.
Mas antes, fique o com vídeo da Vergonha Alheia Própria Produções, farinha de Fábio Júnior.

Ingredientes:
1 Fábio Júnior, mais conhecido como pão velho, segundo Lucia Farias.

Bom filme a todos.



terça-feira, 17 de setembro de 2013

13 dias sem pão, 13 dias sem cerveja. Diários de uma dieta!


















Quinta-feira, 12 de setembro de 2013. Ricardo está com a agenda cheia, mas precisa dar banho na filha, preparar o jantar da familia, dar os remédios da criança e colocá-la para dormir.
Ricardo pede uma pizza.
Sexta-feira, 13 de setembro de 2013. O dia de Ricardo continua cheio de afazeres, vai participar de um bazar vendendo geleias, precisa colocar os rótulos, preços, aparece uma foto no meio do caminho, passeia com a cachorra, vai viajar às 16 horas para fotografar um casamento.
Almoça uma pizza enquanto passeia com a cachorra. Pega a carona, pegam a estrada às cinco da tarde e ficam cinco horas dentro de um carro, chegam no litoral norte paulistano. Faz o check-in, pergunta onde tem um lugar para jantar. Pertinho dali, só uma pizzaria.
Meia alho, meia bacon...Uma cerveja.
A pizza é boa.
Sábado, 14 de setembro, café da manhã no hotel, um misto-quente, uma xícara de café, termina, levanta e procura a igreja de Barra do Una. Encontra, fotografa, estuda a luz e retorna para o hotel.
Um banho, as vestes, cola celofanes na lente e se dirige à cerimônia.
Trabalha, ri, chora. Emociona-se com a celebração. Toma dois copos d'água, coloca os óculos escuros, entra na van, anda alguns quilômetros, vê um unicórnio, lembra de estar sóbrio e fotografa o unicórnio.
Fotografa a festa, escuta dos noivos um "relaxa, beba, coma", concorda com a cabeça e segue seu trabalho. Toma a primeira cerveja, toma a segunda, almoça, fotografa, ouve novamente um relaxa. Acalma os noivos dizendo:
– Estou me divertindo muito e trabalhando, as fotos já tem até o filtro da cerveja...
A festa acaba. Volta pro hotel, a fome bate, almoçou, mas esqueceu da sobremesa. Caminha até a pizzaria.
Meia alho, meia calabresa com mussarela e uma cerveja.
Come, bebe, volta pro hotel, arruma as malas.
Domingo, 15, come dois pães com queijo, mortadela, manteiga e cream-cheese. Uma xícara de café, um copo de suco de laranja. Vai pro quarto, pega as malas, faz check-out, senta-se na frente do hotel, sente a brisa enquanto espera a carona. Ela chega, eles retornam para São Paulo.
Chega na hora do almoço, sua mulher o recebe em frango assado, minto, o ecebe com um frango assado e uma salada de rúcula, cenoura e palmito.
Almoça, conta um pouco sobre a viagem.
Vão até a casa de uma amiga com guitarras e cervejas.
Bebe e se entope de queijos, pães e geleias.
Segunda, 16, começa o desafio.
Treze dias sem pão, treze dias sem cerveja.
No café, um prato de manga, é por incrível que pareça, a fruta mesmo...Bebe duas xícaras de café sem áçucar...
Almoça, um frango grelhado, rúcula e bebe limonada. Às 16 horas descobre que seu estômago é auto-suficiente e se alimenta das próprias paredes.
Decide fazer um lanche, come 3 rodelas de abacaxi.
Às 17 horas, vê um bem casado da festa e pensa, o nome disso é bem casado, não é pão, come o bem casado, se culpa, mas era só um... E não é pão!
Esse é o dia da primeira prova da roupa. Vai até alfaiate (vou chama-lo assim, mas ele é bem mais que isso). Prova o terno sob medida, precisa soltar um pouco a calça, só na cintura, mas precisa...
Voltam pra casa de mãos dadas, olha pra esposa e diz...
– Preciso comer um amendoim!
– Ué? Porque amendoim?
– Porque é salgado, não é pão e não é bolacha...
Compra e come...
Chega em casa e prepara o jantar da familia. Três frangos grelhados, mas a filha insiste em macarrão. Ele acata, faz com brócolis e creme-de-leite, come um pouco, é humano e conforta-se dizendo, não é pão e nem cerveja...
Terça-feira, 17, no café uma rodela e meia de abacaxi, 6 bolachas com requeijão, e duas xícaras de café e um novo mantra, bolacha não é pão...

No almoço, hoje, porco e rúcula. A rúcula descansa numa cestinha de parmesão com geleia de pimenta, um berço esplêndido. Nesse post você vai aprender a fazer a cestinha de parmesão.

Os ingredientes:

• Uma xícara de queijo parmesão, ralo grosso
• Uma frigideira
• Uma tigela para moldar a cestinha.

Assista agora o retorno da Vergonha Alheia Própria Produções, com o vídeo-modo-de-prepraro da cestinha de parmesão. A seguir, fotos do unicórnio.









quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O que vou almoçar amanhã?
























Comprei carne pra vinte pessoas e esqueci de convida-las.
Era domingo, comemos costelas e uma paleta de ovelha.
Segunda, almocei costela.
Trabalhei, cobri dois coqueteis, comi umas coisinhas, cheguei em casa.
Esquentei outro pedacinho no forno.
Terça ia comer costela, gatinha ligou...
– Estamos indo no Martin Fierro!
 Saí pra almoçar fora, peguei a bicicleta e voei para o restaurante para comer algo diferente de costela.
Olhamos o cardápio, todos pratos acompanham salada verde, aí pedimos uma batata rústica (batata-doce, alecrim, sal grosso) e um assado de legumes. Daí uma carne, um assado-de-tiras, sim, eu sei, é um costela. Mas era o que mais me apetecia.
De noite janto muito bem, cubro mais dois coquetéis, num deles a cozinha de Alex Atala, sabe muito o moço. Comi patricamente, um purê de mandioca frito, depois o garçon passou com queijos coalhos com melado, supremo, pastel de abóbora com carne seca, de uma brasilidade sem fim.
Daí passou por mim uma galinhada.
Camera lenta, só ouvia o barulho da fumacinha que saia do prato.
Em poucos segundos que a galinhada mística desceu da cabeça do carçom, evaporaram. E isso aconteceu três vezes seguidas.
Vi um Alex Atala granjeiro, entranto no galinheiro com sua galinhada em punho, jogando a quirela, para nós galinhas.
Peguei a minha.
Fui comer escondido, como eu acho que um fotógrafo deve fazer.
Do lado das DJ's que dançavam sincronizadas, dei a primeira garfada, de inicio já fiquei brabo com a galinhada, tava linda, arroz, farofa, uma galinha bem molhada; uma coxa e meio peito. Mas nenhuma faca. Um obstáculo na galinhada do Atala.
Comi, gostei é diferente...
Quarta-feira, abro a geladeira e tem costela. Prefiro ir na padaria. Chego na sensação, como um churrasco no pão, com ovo e bacon, peço uma limonada suiça, pra mim a melhor que já tomei, todo lugar que vou peço uma limonada, virou obsessão.
No entanto no jantar, faço um miojo para Alice que me pediu, pego metade pra mim e como com costela.
Hoje quinta-feira véspera de sexta, teve feira, teve pastel, um especial de carne, um calabresa.
O jantar, bueno, a criança comeu pastel, eu, abri a geladeira e vi lá embaixo a costela.
Piquei toda ela, piquei também uma cebola e quatro dentes de alho.
Refoguei primeiro a carne, fritei ela bem, retirei.
Coloquei as cebolas na panela, atirei junto um osso com um pouco de carne e bem gordinho e coloquei todo alho que tinha em mente.
Pronto.
Parei, olhei e pensei na minha alegria. Uma semana comendo costela.
Servi sorrindo o meu prato da quinta-feira e as costelinhas caiam na mesma camera lenta da galinhada do Atala. Servia pensando na base que tenho para um arroz de carreteiro, num molho de costela para uma macarronada, ou ela num sanduba, como o Xis Costela Egg Bacon da nossa saudosa Toscozinha. E claro, já sei o que vou almoçar amanhã...


Pensei na Toscozinha, na galinhada do Atala, e na minha que achei infinitamente melhor e decidi fazer um novo Toscozinha.

Agora prestem atenção no serviço, do Novo Toscozinha! Agora na minha casinha!

GALINHADA DESAFIADORA, 8 vagas.



Dia 22 de agosto.

Quinta, 21 horas, dia 22, repito.

Prato principal: Galinha que eu acho melhor que a do Atala e duas pessoas confirmam isso.

Acompanhamento: Salada de rúcula

Sobremesa: Ambrosia

Preço: 45,00

Reservas por e-mail.
ricardo.toscani@gmail.com

Nosso bar dispõe de cerveja, cachaça e refrigerantes.
Não cobramos rolha para vinhos.