sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Uma Parceria








Parceria é coisa boa, ter alguém com quem dividir as alegrias e as tristezas, uma cabeça a mais, mãos a mais, tudo em dobro. O ditado diz, dois é bom.
Há poucos dias eu perdi uma grande parceria, não foi como na prova dos Tastemakers, foi no jogo da vida, nela quando uma parceria acaba, dói muito mais.
No programa em que eu e Caio fizemos um "colab", escolhemos um pedaço, rolou indecisão, afinal Caio queria peito, eu não gosto de peito, só amigos do peito, o de frango não me alegra, prefiro sobrecoxa, entramos num consenso.
Sobrecoxas, família de Santa Catarina, caixa com produtos típicos.
Lá deu certo, funcionou, mas na prova outras duplas passearam, foram muito melhores, em câmera, sintonia e receita, Bruna e Léo, merecido, Bebeta e Jô, um nado sincronizado poderiam vencer, mas a apresentação do prato não estava muito boa.
Mari e Let, perderam a cabeça e a parceria.
Foram para eliminação, eu fui indicado pelos líderes.
Nela um churrasco de apartamento me salvou da eliminação. Não venci, mas fui salvo.
Sempre fui um guri de apartamento. Meu pai sempre queria uma parceria para ir para o campo com ele, eu urbano, hoje visitei sua terra e senti sua presença. Ele tá lá, no lugar que sempre quis estar com um de nós.
Nossa parceria física acabou no dia 04 de novembro, um dia triste, toda fragilidade incide, o pensamento lá em você, e tudo me divide. Eu me dividi em dois, metade tristeza, metade saudade.
Aos poucos tudo no peito vai mudando, a tristeza vai saindo, tem sido rápido admito, parece que meu pai tá tirando com a mão ela do nosso coração, só pra nenhum de nós sofrer, pois só consigo me lembrar de ti sorrindo. Não te vi no hospital, diferente da mãe, que na época não pude entrar por ter 12 anos, dessa vez eu não cheguei a tempo, tu não me esperou, tu nunca gostou de esperar.
Foi rápido, como muitas coisas na vida.
"Renato, precisamos de um churrasco em uma hora"
De maneira espantosa, ficava pronto.
Amigo, quando tu decidia era assim, meu parceiro.
Fez a tua viagem, cozinhei sozinho em tua cozinha.
Senti tu comigo, senti a alegria de ter crescido ali e acompanhando teu jeito simples  e dedicado de preparar um alimento. Amigo meu, a saudade é grande, te espero meu parceiro, vem me visitar, vem falar comigo, contar como anda o outro lado. Vocês se encontram?
Tu e tua grande companheira, minha mãe, tua esposa, tua parceira.
Meu amigo amado, gravar um vídeo sozinho, foi difícil, em certos momentos o áudio ficou alto, depois baixo, bem ao estilo Vergonha Alheia Própria Produções. Mas no meio dele me dar por conta que tu está na minha cabeça e no meu peito, de certo modo deixou ele perfeito.
Te amo meu pai, minha grande parceria. Pãe, mãe, avô, avó e grande amigo.

 

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

A mini cozinha e a coxinha da mini pessoa













Era uma vez um lugar muito pequenino que eu julgava desnecessário. Um mundo mágico e saboroso onde era tudo muito pequeno, inclusive o meu próprio julgamento sobre coisas. Esse lugar fabuloso é conhecido por todos como Mini Cozinha. Alice amou a prova, ficou feliz com a homenagem que fiz para ela no programa e inclusive a homenagem do amigo Kalil, mozão que provoca arrepio. Nessa prova meu querido e amado amigo deixou e programa e deixou mais do que isso, deixou saudades, a cozinha da Tastemade como ele disse, perdeu um pouco de beleza.
A prova foi uma das melhores coisas que aconteceu comigo na competição, pois sempre achei muito boba a Tiny Kitchen, boba mesmo era minha opinião.
Para Alice foi amor à primeira vista. O salgado que ela ama, no espaço que suas bonecas seriam suas grandes, rá, parceiras de cozinha.
Quando chego na prova, não lembro se Tavião, Mari ou Fernanda me falam:
– É uma receita bem paulistana.
– Pastel?
– HAHAHAHHAHAAH, poderia ser. É parecido, é fritura.
Não lembro se acerto, afinal a gente tava muito louco de lavanda nesse dia. A lavanda tem propriedades calmantes e também cicatrizantes, nos ajuda a ter um sono leve. Na última festa de aniversário de Alice, organizei uma festa do pijama, quando deu meia noite e as crianças ainda resistiam ao sono, passei lavanda em geral, joguei no travesseiro, lençol, em mim e coloquei num difusor ligado na tomada. Deu certo. Recomendo.
No dia da prova, aí que a lavanda pegou, como disse no vídeo, "eu também usei" mas a nossa energia tava diferente mesmo, talvez um pouco abalados com a saída da Ju Palma, por percebermos que o sofá do deck ia ficando maior a cada dia e nosso grupo menor.
Esse prova levou meu grande amigo para eliminação. A gente dentro do jogo tenta amar e gostar de todo mundo, afinal, respeitar as diferenças e entende-las é o que queremos para o mundo e temos que fazer isso diariamente. Fiquei feliz quando subiram os outros dois meninos, embora quisesse muito ter meu amigo por mais tempo. O cara de sorriso lindo, de informações alimentícias pertinentes o Nutrigato. Um dia antes da prova a gente recebeu os amigos no quarto, para assistirmos sua participação no programa Marmitas & Merendas. Fizemos um open de água (álcool não era permitido para competidores), distribuí balas, chocolates e todos assistimos o programa enebriados com óleo de lavanda e capim-santo.
No dia que essa prova foi gravada minha sogra passava por uma cirurgia delicada, não tinha direito a telefonema nesse dia, mas a produção amada ligou para minha companheira, a produção me devolveu boas notícias e entrei na prova um pouco mais calmo, com muita vontade de fazer xixi, afinal eu sou o louco do café, depois tomei uma água, comi uma bergamota e a bexiga agiu como coração de mãe e abrigou todos líquidos.
A pontuação foi boa, mas não suficiente para liderança. Alice já meu deu broca ontem.
– Pai quando é que você vai ganhar uma prova?
– Não sei filha...
O que sei é que lá fiz minha primeira coxinha, passei a amar a Mini Cozinha, a gente tem que julgar menos nessa vida. Aqui também fiz pela primeira vez, fiz para a pessoa que amo, o salgado que ela ama. Alice até quando vai no hospital (a asma nos leva pra lá algumas vezes) sempre pergunta se podemos comer uma coxinha do local. Um vício. Estou criando uma sommelier de coxinhas.
Sem mais delongas fiquem com esse maravilhoso vídeo da nossa sempre parceira, Vergonha Alheia Própria Produções. As imagens e direção ficaram por conta da minha amada Lucia, mãe de Alice. O vídeo está longo, peço desculpas, mas não é só um vídeo é uma entrevista com essa menina maravilhosa, embora eu sou suspeito pra falar, mas deixo vocês julgarem. Soou contraditório né? Enfim, curtam, comentem e compartilhem.
A foto é uma homenagem ao nosso querido e amado Kalil Lucas.


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Brigadeiros de Pequi













Buenas! E a terceira prova de Tastemkers a Competição chega ao Culinária Tosca.
Que prova senhores, achei que essa eu tinha levado, mas é preciso reconher Bebeta é uma máquina, a Alemanha da competição, e Bruna mãos de fada e sim, evolui a cada episódio, além de ter feito o melhor brigadeiro.
Esse prova para mim foi espetacular, me deu a chance de conhecer melhor Mariani, um pouquinho antes de sermos chamamos, afinal por sorteio fomos os primeiros a fazer, pude conversar e entender como ser Mariani por 20 minutos.
Seus trejeitos, seu estilo, sua forma de cozinhar e um pouco do seu sotaque gostoso, é bem verdade que eu no sotaque me perdi um pouco, meu bonde do sotaque passou por Minas, Bahia e volta e meia se lembrava de retornar pra Goiás.
Mariani, muito gente fina, elegante e sincera, me deu um bordão do "aqui em São Paulo não tem nada", contrariando o mundo, claro, na caricatura a gente exagera, Mariani é uma pessoa aberta, e foi amando e se deixando conquistar por essa cidade a cada dia.
Na minha caricatura interpretava de Mari, não poderia em hipótese alguma deixar de falar do pequi, e como diria Marisa Monte naquela canção "bem que pequi, depois de tudo ainda ser feliz", o pequi é um fruto danadinho, a gente não pode morder, tem que roer, senão o céu da boca vira um inferno, dentro temos um caroço espinhento que olha, pode ser fatal, tu vai ficar uns 30 dias tirando espinhos do céu, parece poético, mas deve ser terrível.
Por isso que toda vez que tentar morder um pequi vai gritar
– Nãããããããoooooo!
Seguido de um:
– Goiano é roedor de pequi! Não morde!
 A vida ensina de maneira dolorida, o goiano de maneira mais didática.
Lá dentro, na hora da prova, não achei pequi, meu plano A foi embora, Mari já tinha me dado todas as coordenadas do que fazer, um pouco antes em nossa conversa antes do desafio o plano B seria um brigadeiro de milho, não sei se teria o milho, pensei em usar uma farinha de milho como quem usa um pó de chocolate, felizmente não encontrei farinha de milho, pois o brigadeiro ficaria tenebroso.
Obrigado Universo.
Achei paçoca, plano C. Vamos nele. Tudo vai bem na prova, apesar do nervosismo vai bem. Termino achando que mandei muito bem, mandei, mas sou vice de novo.
Me sinto um pouco culpado por Mariani ir para eliminação, afinal eu falei pra ela que o brigadeiro no Rio Grande do Sul a gente chama de negrinho, e não me lembro de ter mencionado branquinho.
Tavião falou, deu a letra, perguntou se quando era branco o brigadeiro também se chamava negrinho e eu respondi que sim, mas já emendei um causo e um papo com Mariana Moura dizendo que é que nem galinhada, no sul é arroz com galinha e que somos pragmáticos com nome, fazendo o assunto se perder e Mariani com i não absorver a dica. Sorte a minha que a menina é forte, luta como uma garota e se garantiu na prova do chocolate. Mesmo colocando sal no brownie.
Ufa! Seguimos no jogo.
Acompanhem agora o vídeo do brigadeiro de pequi, mais uma obra incrível da Vergonha Alheia Própria Produções que agora conta com a ajuda nos roteiros de Lucia de Menezes e câmera e edição de Matheus Bucai. E a presença maravilhosa e iluminada de Mariani Miranda!

 

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Tastemakers a Competição, tô dentro do jogo














O jogo começou, não sabemos muito bem o que estamos fazendo lá e qual o nosso objetivo, ele é falado prova a prova, com o nervosismo a ficha demora a cair.
A primeira prova, parece simples, quando falada pelos jurados e também apresentadores do reality. Escolher um ingrediente, falar dele, tua relação com o mesmo na cozinha e como isso te conecta com ela. Tudo em 1 minuto.
Eu recebo a urna e tiro o número 3, fico feliz, afinal, ser o primeiro na primeira prova não é lá muito confortável, o segundo é menos pior, ainda ronda uma pressão, já o terceiro é confortável, tu não é o último então não tem que lidar com a ansiedade da espera e não tem aquele susto de ser o primeiro e não ter um tempo pra se preparar, física e psicologicamente.
Procuro um morango, não acho. Entre todos pedaços de carne e o peixe que não identifiquei, afinal, esse blog só surgiu por conta desse ser aquático, a traíra, só vejo que há uma traíra na bancada  quando assisto o primeiro episódio,Na prova quem brilhou pra mim foi a pimenta.
Na competição, os que foram medianos, não tiraram a melhor e nem as piores notas, não sabem sua pontuação, assistindo tudo no conforto do meu lar, descubro um segundo lugar, que divido com a colega Mariani, 8 pontos.
Não fui para a eliminação, se eu fosse, teria que cozinhar. Por certo faria uma geleia.
Sim, e pra comer com que?
Não sei, afinal, esses pontos, e a indicação de Vítor por Ju, garantem mais um episódio no programa.
Segundo episódio, a prova das frutas, "Com quantas frutas se faz um Tastemaker"?
Bueno, comigo acho que 3, olha aí o número chegando de novo, só que dessa vez não foi do sorteio e sim o número de frutas que acertei. Eu de antemão já não estava sofrendo com a prova, afinal não sou um comedor de frutas, admiro demais os frutos do mar, tinha sim o medo de não acertar nenhuma, mas isso não aconteceu, não entendi muito a parte sobre descreve-las e com isso perdi até de conseguir uma pontuação mais alta. Chego na bancada, não vejo nada, sinal que a venda nos olhos está funcionando. Vou comendo fruta a fruta e me preocupando por não conhece-las, a gente sempre aposta no básico, nas frutas do cotidiano, mas não, é uma prova e claro que não é fácil.
Pela textura, amora, pelo sabor banana é indiscutível seu gosto, pelo tato também, percebo a pera, mas antes penso ser maçã, eu gosto é de pera dura, e o meu paladar me salva, é uma pera.
Os acertos, mais os meios pontos de descrição, total de 5 pontos na prova.
A pontuação me salva, segundo lugar de novo, agora divido com o amado Kalil. Somo 13 no geral, sem contar com os pontos amigas Patty, Mariani e Letícia que disputam mais 5 agora na prova de eliminação.
Então, salvo por mais um episódio, resolvo me colocar a prova aqui mesmo em minha casa, cozinhado com frutas. Faço a geleia que faria se fosse para primeira prova de eliminatória e cozinho com as frutas, incorporando em minha receita, banana, amora e pera.
Aqui uma delas será eliminada e não entrará no Hall das Geleias do Cardápio Culinária Tosca.
A nossa sempre parceira Vergonha Alheia Própria Produções, que agora conta com o precioso Matheus Bucai como câmera e editor, afinal a nossa antiga parceira a Apego Pelo Bruto Edições só produzia longa-metragens, e isso está um pouco longe do que se pretende em internet em termos de receitas práticas e rápidas.
Obrigado pela atenção, tenham todos um bom filme.
Assistam também a série Tastemakers a Competição, nesse link e nos canais da Tastemade Brasil.


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Tastemakers a Competição e a Inscrição



























 Antes do jogo tem que escolher as peças.
Cada um tem o seu poderzinho.
Qual é o seu?
O meu vem de uma escola muito antiga, descende do Expressionismo e Impressionismo, respectivamente, o Pressionismo, dom do artista que tem o poder de fazer tudo de última hora.
As vezes porque quero, normalmente porque preciso.
Meu poder é demorar, enrolar, finalizar, entregar.
No passado quando fiz teste para X-Man, não fui aprovado no casting.
"Cara, acho que não precisamos disso. Tenta em outro lugar.".
Um belo dia minha cunhada mandou uma mensagem, escreveu:
"Achei a tua cara"
Tastmakers a Competição.
Resolvi gravar um vídeo, antecipadamente, depois de ouvir minha fiel escudeira amada esposa no telefone com minha cunhada:
"Eu não vou dizer nada, ele vive me dizendo que é eu parar de ficar mandando nele e dizendo pra ele fazer coisas.".
Véspera de uma semana de tretas.
Eu e gatinha somos tipo os Super Gêmeos quando brigamos, ela, forma de uma tromba gigante, eu, forma de uma tempestade em copo d'água.
Marco com um amigo para quarta-feira, ele é freelancer, pai e como eu tem o poder de ter uma agenda mutante. Não pode na quarta, nem na quinta.
Sexta-feira, acordo, são 05:40, último dia, e a matéria prima da escola Pressionista está disponível, temos toda a falta de tempo que precisávamos para começar os trabalhos.
Apenas preciso me livrar da criança que cuido e amo.
Uma ideia na cabeça.
Não é boa. Outra ideia na cabeça, um tanto quanto limitada, porém, não temos tempo.
A criança me pede um ovo mexido. Faço, agora restam apenas dois ovos em casa, e outro ingrediente indispensável da escola Pressionista, a completa falta de margem para erro.
Exceto o desespero,  não falta mais nada.
– Tchau paaaai!
– Tchau Peru! Boa aula.

Volto um capeta em forma de Gondry pra minha cozinha.
Luz, uso a natural, câmera, uso a minha, ação, também a minha mas não sou lá muito ativo.

 "Olá...Bom dia. Esse vídeo é minha inscrição para o Tastemakers a competição.".

Depois de 6 vezes disso, temos a cabeça do vídeo. Bem natural, como gosta nossa parceira de projetos Vergonha Alheia Própria Produções.
Daí pra frente desenvolvo tudo que aprendi na Fantástica Escola Duarte's Dramáticas, nível Paloma Duarte, ainda falta o Gabriela, Débora, Regina e a faixa preta de atuação, Lima Duarte.
O Paloma é muito bom, me saí bem, no entanto nossa outra parceira a Apego pelo Bruto Edições, resolveu, por mais incrível que pareça, cortar minhas outras falas.
Ressaltou que a cabeça já dizia tudo o que o filme precisava e o resto seria construído com belas imagens, fotografia impecável e trilha sonora original gentilmente cedida pela Banda Los Freelas de una Pauta.
Vídeo pronto.
Mostro para uma crítica de arte, ela critica muito. Critica bastante, critica intensamente, critica forte, critica até escorrer lágrimas do olho cego do "cineastra".
Chegamos ao ingrediente que faltava na receita Pressionista, desespero.
Hummmmm! Vem coisa boa por aí!
O video-maker, depois de explodir internamente não se dá por vencido, ouve as críticas, conversa com a Apego Pelo Bruto Edições e consegue cortar inacreditáveis 60 segundos.
Vejo a crítica agora estampada num jornal.
"Emocionante! Desespero também é emoção!". (New York Times)
O frio na barriga causado pela obra da Vergonha Alheia Própria Produções, como diria o filósofo Alexandre, o Pires, "me machuca tanto, toma conta de todo meu ser".
Mostro para uma amiga, que lembra que já passei vergonhas maiores na vida, no entanto essa é a única que parece me abrir portas.
Subo o vídeo na redes sociais. Respondo um questionário, preencho um formulário, anexo o formulário, erro ao anexar o formulário. Mas lá pelas 18 horas, termino tudo e envio.
Como diria Tetê Espíndola, "estava inscrito nas estrelas"
Um vídeo com uma receita simples de omelete, primeiro prato desse blog. Pra acompanhar um café passado e o clássico que nunca comi, "pão com banha", um dia falo mais sobre essa iguaria, o que sei é que aqui em terras tupiniquins antes da manteiga, afinal os porcos foram trazidos primeiro por embarcações portuguesas e quando azeite acabava, essa gordura saborizava o pão do café da manhã.
Ouvi de muitas pessoas mais velhas que eu falando com saudade de um bom pão com banha.
Duas semanas depois de enviar o vídeo sou um dos escolhidos.
Com o meu poder de deixar pra última hora.
Junto comigo, cada um com seu poder Bertha Salles, Bruna Guabiraba, Caio Almeida, Jô Santibanez, Juliana Palma, Kalil Lucas, Leo Abreu, Letícia Maia, Mariani Miranda, Patrícia Hopf e Vitor Bourguignon.








terça-feira, 1 de novembro de 2016

Renova















Esse não é um post de receita, mas de amizade com um objeto e sua restauração. Personagem presente em quase todos os posts desse blog, meu dia não começa sem ela.
As melhores coisas do mundo não são coisas.
Difícil falar isso da minha chaleira.
Água pro café, chimarrão, ou a água quente pra começar qualquer receita.
A antiga enferrujou por dentro, de tanto uso. Dispenso microondas, mas não fico sem minha chaleira, tinha cabo de ferro agate, igual ao corpo, queimava a mão quando a gente esquecia o pano.
Certo dia precisei aposenta-la, comprei a mesma, porém agora o cabo era de madeira.
Fogo forte do fogão industrial queimava o cabo.
Cada novo dia a chama queimava um pouco mais o cabo grosso da chaleira, resistiu por um ano, até esse domingo.
Pegou fogo, o cheiro agradável de lenha queimada, o cheiro de inverno pela casa deu lugar a tristeza pela perda. Tão nova, tão cara, tão boa. O valor vale o investimento. Mas não posso comprar outra, não agora, essa veio de Minas Gerais, Gonçalves, não sei quando volto pra lá.
Acima de tudo, não sou homem de deixar pra trás quem me acompanha.
Num raro momento de testosterona procurei o material correto.
Um cabo de espeto, não deu certo.
Um toco de madeira, não funcionou.
Uma baqueta! Bingo!
Assim minha chaleira ficou mais linda e mais hipster do que nunca, a baqueta andava sozinha, a sua parceira morreu, foi quebrada enquanto batia em pratos no último ensaio da banda, a outra agora é cabo de chaleira. A vida se renova.







sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Acém Fundamento























Hoje conquistei muitos pontos na minha carteirinha particular de dona de casa. Realmente acho a profissão, depois do professor, deva ser muito bem remunerada. Eu quando perguntam minha profissão, respondo fotógrafo, no entanto, tão logo eu conquistar muito mais pontos na minha carteira, responderei, dona de casa e fotógrafo, e blogueira. Blogueira é legal. O despertador tocou 07:38, aprendi com um amigo, coloque o despertador sempre no horário limite, impossível de pedir por mais cinco minutinhos. Levantei, organizei a louça na máquina, ela já não é mais uma louça, é uma criatura com 3 dias de vida, água quente nos pratos, porque a máquina aqui de casa é das fracas, pra quem lava louça bem, tem fazer uma vista grossa ou passar água quente.
Mais água quente, passei um café. Acordei a criança, lhe preparei um leite, peguei a roupa de banho, preparei a mochila, bolachas.
– Pai, não quero mais bolacha.
– Tudo bem.
– Pai eu quero chocolate!
– Em que lugar do mundo se come chocolate essa hora da manhã?
– Ei, eu só pedi um chocolate!
– É páscoa?
– Não...
– Então? Não basta o chocolate do leite?
Dei-lhe um parmesão e encerrei por aí.
Botei na bicicleta, chegamos na natação.
– Dá um beijo no pai!
Ela foi embora. Fui atrás, pedi uma foto. Fiz, desci. Destranquei a bicicleta.
Fui no mercado.
Suco de uva, uma garrafa d'água, óleo, acém.
Um pedaço hipnótico, embalado em filme deitado sobre isopor preto, detesto isopor, mas o pedaço de acém de R$13,00 transcêndia todo plástico e matéria.
Voltei pra casa, lembrei, olhei para as batatas doces na geladeira, na noite anterior tinha lavado meus cabelos, não poderia fritar batatas, aproveitei um resto de estrogonofe e fiz um macarrão, renovei o molho tradicional dos anos 80 com uma sobra de porco acebolado e uns pedacinhos de bacon, porque afinal se ficasse ruim, teria bacon, mas isso é outra história.
Deu tudo certo.
Ainda haviam batatas na geladeira.
– Não posso buscar a criança hoje.
– Tranquilo, já estou saindo pra busca-la.
Peguei a criança, vestiário feminino, pais, mães e meninas, vesti a criança, conversei com uma mãe. Falamos da vida dura que é ser dona de casa, trabalhar e ser independente.
– Te entendo amiga!
Voltei pra casa.
Ordenei a criança que tomasse banho, lavasse o cabelo e essas coisas que faz toda mulher com cloro no cabelo.
Enquanto isso, modo de preparo:
Peguei o acém, panela de pressão, coloquei um volume de água sem ultrapassar a peça de carne.
Deixei cerca de 25 minutos na pressão.
Desliguei a panela.
A garota senta a mesa, pega um jogo de tabuleiro e me convida.
Aceito.
Jogamos.
Óleo na panela, recolho todas batatas, doces e salgadas, segundo Alice, da geladeira e ponho pra fritar.
Ligo o forno, a medida que frito, escorro e absorvo (em papel absorvente), por fim, deixo as batatas no forno com sal, alecrim e tomilho.
– Pai! Sua vez.
Nesse momento a criança joga, com uma garrafa de água com a imagem de Elza, rainha do gelo, joga ela, eu jogo e a mãe penteia seu cabelo.
Jogo o dado, cinco, ando cinco casas, fique duas rodadas sem jogar.
Sem problemas, preciso terminar o almoço.
Abri a panela de pressão, joguei o sal, um punhado.
Liguei a panela agora sem a tampa e deixei a água, que agora é um caldo de carne, secar na panela.
Cebolinha picadinha e terminei.
São 11:11, aberto o portal do amor.
A guria, não quis o acém. Quis as asinhas de frango que estavam na geladeira, jantar de quarta.
Deixo a mesa às 11:58. Lavo a louça desde então.
Vim pra cá e fiz esse post, sobre uma carne de panela de uma verdadeira dona de casa, meu delicioso Acém Fundamento, cujos ingredientes são: acém, água, pressão, sal e cebolinha a gosto!
Beijo pra todas!