quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

MORRI, MAS TIVE OUTRA CHANCE.










Morri um pouco ontem.
Por isso nem consegui gravar o vídeo modo de preparo do Culinária Tosca.
Subi aos céus e lá encontrei muita gente legal, Jimi, Janis e Jim.
Fui recebido por ninguém menos que a própria morte, e como disse Cazuza:
"Eu vi a cara da morte e ela estava viva."

Ela era uma mulher muito bonita, achei então que o passeio prometia, mas até o momento não sabia que era só um passeio, digo, um susto.
São Pedro é gente finíssima, foi o primeiro que conheci, anda meio distraído com o tempo é verdade, mas cuidar da metereologia e das portas do céu ao mesmo tempo não é fácil, aliás ele tá dando um jeito de contratar o Zé Ramalho.
Mas é importante dizer aos amigos o que me levou ao céu.
Estava eu em casa, com minha filha e minha cachorra, enquanto minha mulher saiu para trabalhar. Coloquei Alice para dormir e liguei em Viver a Vida. Aquilo estava horrível, pior que a Preta Gil bronzeda, quando o Manoel Carlos fala em superação isso vale para todos, inclusive para ele, eu fiquei uma semana sem TV, umas três semanas sem ver novela, e aquilo não anda.
Embora pareça que eu tenha tentado o suícidio, não foi nada disso.
Resolvi fazer um lanchinho para acompanhar a trama atrapalhada de Maneco.
Há tempos, fiz um post sobre frituras, nele conto sobre a minha imensa vontade de fritar sorrentinos, iguaria argentina que parece um ravioli gigante e redondo.
Ontem abri minha geladeira e lá estavam eles, gordos e reluzentes, como a Preta Gil cheia de Cenoura & Bronze; então pensei que este era o dia D e hora H, como a canção de Paulo Ricardo e Luiz Schiavon.

Esquentei o óleo, peguei a frigideira, joguei o fósforo na gordura, seguindo o velho macete para quando ele acender saber que o óleo está bem quente.
Ele acende e eu jogo os sete sorrentinos.
Que visão, aqueles pastéis pequenos e redondos ficando douradinhos, um filme vem a minha cabeça - quase 3 anos depois de ter provado o meu primeiro sorrentino na calle Charcas, número 4001, no restaurante A Manger e pensado na possibilidade de fritá-los, hoje os encontro a duas quadras da minha casa num lugar chamado Primo Pastificio.
Recomendo!! Aliás esse será um novo serviço oferecido pelo blog, lugares onde se come bem, onde o atendimento é legal e onde há uma preocupação sustentável (e limpa!) relativa as embalagens e recipientes para servir, o Primo Pastifício é um deles, no entanto falarei melhor deles noutra ocasião, num post exclusivo.
Retiro os sorrentinos, sete preciosidades douradas, recheadas com presunto e queijo, choro de emoção, o filme chega ao fim e parece que teremos um final feliz.
Mas ainda resolvo passar um bife de contra-filé para acompanhar as iguarias.
Sento em frente de Manoel Carlos. Como o primeiro, o segundo em seguida, o bife, o terceiro, quarto, bife, bife, bife, restam dois sorrentinos. Agora só resta um, e um pedaço de carne que é dividido em 4 pequenos pedaços, como o sorrentino cortado em quartos.
Um, dois, três e quatro, as luzes se apagam.

Vejo uma luz no fim do túnel, corro em direção a ela...
Um clarão enorme me cega, uso as mãos para proteger meus olhos...
De repente...
– Juliane Moore?
– Não Tosca! Sou apenas a materialização de alguém que você gostaria de ver...
– Então quem é você?
– Sou a morte!
– Não pode ser... mesmo? Mas nem todo mundo gosta da Juliane Moore...
– Isso é o legal na profissão, quando recebi o Renato Russo, eu estava de Pedro Bial e ele amou.
– Então, aqueles sorrentinos foram meus últimos? Mas logo agora que descobri tão perto de casa...
– É, mas foram sete, e mais um bife...
– Mas eu sou pai... preciso ver minha filha crescer...
– Devia ter pensado nisso antes...Vamos dar uma volta.
Dona Juliane, me mostrou muita coisa, mas depois me deixou sob os cuidados de Renato Russo que me sugeriu três receitas para o blog, Rosca Queimada, Croquete Agasalhado e Biscoitos Molhados. Achei um papo estranho e pedi que se ele não se importasse gostaria de ser guiado por outra pessoa. Meu pedido foi aceito, me mandaram o meu conterrâneo, Humberto Gessinger.
Lá vi muitas coisas legais, mas o que mais me chamou a atenção, foi uma lista que São Pedro carrega. Vários nomes interessantes, Silvio Santos, Rod Stewart, Hebe, Maurício Mattar e o que segundo São Pedro já tá fazendo hora extra, mas ele está com medo de chamar pra perto...
Lulu Santos.

Enfim fiz um trato com o Homem, ele disse, com aquela voz de santo:
– Filho você pode voltar e divulgar sua receita, mas terá que me prometer três coisas.
– A primeira e mais importante, ser sempre um pai amoroso para sua filha e fazer o álbum da menina que já tem sete meses. Um pai fotógrafo, que também ilustra, e ainda não fez nada para pobre menina é muito feio.
A segunda é, utilizar o dom da culinária para ajudar o próximo, lembre-se da caridade.
E a terceira. Por favor pare de falar mal do Erik Marmo, eu gosto dele. Ele tem problemas, não é um bom ator, mas tem um coração proporcional a sua falta de talento.

Ao jurar perante Juliane Moore, Humberto Gessinger, Janis, Jimi e Jim para São Pedro eu ganhei mais uns bons anos aqui nesse plano.
Com isso apresento os sorrentinos fritos:

Ingredientes:

• Sorretinos
• Óleo para fritar.


Modo de preparo:

Jogue azeite numa panela, coloque um fósforo apagado, quando ele acender o óleo está no ponto, remova o palito e jogue os sorrentinos.
Deixe fritando de 3 a 5 minutos, virando para dourar por igual.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PRIMEIRA RECEITA CRIADA EXCLUSIVAMENTE PELO CULINÁRIA TOSCA!






















Tá bom, tá bom, não vamos exagerar, foi só uma adaptação.
O suco me foi apresentado pela lancheria Rockets na Melo Alves, depois da montagem da minha exposição fotográfica fomos comer um hamburguer. Gatinha pediu um suco, ele chega, ela dá um gole, de repente ouvimos um coro celestial...
"ÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓhh"
Gatinha enlouquece, vicia.
Eu tomava um chop, mas quando provei o pequeno gole oferecido por ela, e senti um gosto que eu já conhecia mas não lembrava de onde, fiquei extasiado e intrigado ao mesmo tempo.
Depois de algum tempo tentamos desvendar a receita, fazer o suco em casa. Compramos polpa de morango, procuramos uma receita de limonada suiça, colocamos tudo liquidificador, mas ainda faltava muito para acertarmos.
Voltamos a fonte, tomamos outro suco e percebemos que não tinha apenas polpa, tinha morango mesmo. Colocamos então uma caixa, mais a receita de limonada suiça que levava 4 limões com casca, deixou o suco muito ácido. Ainda longe.
Chega o dia que coloco, duas caixas de morango, dois limões com casca. Ainda nada, mas está quase, falta bem pouco. Um detalhe, como usar dois limões, sendo que um com casca e outro só o suco, salva a receita.
Chego ao sabor que queria, não fical igual ao Rockets, mas o gosto familiar que senti quando provei o suco no restaurante vem a minha cabeça e principalmente as minhas papilas, era o Fura bolo, não lembra, não conhece?
Sem problemas esse aqui é o famoso picolé da antiga Gelato, que por aqui, depois virou Yopa. O picolé tão gostoso quanto sádico, imagina, morder uma mão com o dedo em riste, era como se o Tio Sam dissesse "I Want You" e tu cortasse o barato do senhor imperialista, com uma mordida, ou simplesmente vingava no picolé o dedo que a mãe, pai ou irmão apontou pra ti dizendo...
"Viu, eu não te disse guri!?"
"Está de castigo piá!"
"Tu nunca vai me ganhar no futebol de botão, tu é podre."
Bons momentos tive com o fura bolo, um alento, um amigo nas horas difíceis e domingos ensolarados.
Então diante do liquificador de casa, depois de alguns outros deliciosos goles, batizei o suco de fura bolo, que ficou com os seguintes ingredientes, duas caixas de morango, um limão espremido e outro com casca, tudo batido com açucar.
Fui aprimorando a técnica, essa receita acima sempre rendeu uns quatro copos bem cheios, um litro. No entanto vieram a minha casa uns amigos para almoçar, coloquei uma caixa a mais e uma polpa de morango para dar um copo bem farto par cada um. Nesse momento a polpa entra na receita, não é indispensável, mas cumpre bem o seu papel, como o Edwin Luisi numa novela de época.

Ingredientes:
• 2 caixas de morango.
• 1 limão inteiro (com casca).
• 1 limão espremido (só suco).
• 1 copo de 250 ml de água.

• 1 sachê de polpa de morango, (opcional).

• Açucar a gosto.



Modo de preparo:
Agora assista o vídeo da Vergonha Alheia Própria Produções, se você já achava ruim, saiba que sempre pode piorar, não é Preta Gil!?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

EU ORGULHOSAMENTE FICO COM O TERCEIRO LUGAR!


















Último post do ano, exatamente no dia 31, como a São Silvestre.
Corro para ter as receitas mais legais, práticas e fáceis da internet, mas como na maratona citada acima, não é fácil conquistar o lugar mais alto do pódium, sempre tem um queniano que aparece nos quilometros finais, passando um, dois e de repente, já não se é mais o primeiro.
Na culinária não vejo diferença, há duas semanas atrás um queniano, de Chapecó, passou por mim, e de repente um Etiope, de Cuiabá, me arranca o segundo lugar das mãos. Fiquei desesperado, como vencer a corrida do prato mais criativo? Como continuar 2010 com o blog e ainda por cima de cabeça erguida, depois da humilhação da derrota?
No entanto, ao ver sumir na minha frente meus dois oponentes, enxuguei as lágrimas, e como um Vanderlei Cordeiro de Lima, corri, mas corri muito em busca do terceiro lugar, com sabor de ouro, com gosto de vitória suprema e incontestável, com maionese.
Sou terceiro lugar, sim, mas tenho orgulho, não é o lugar mais alto, mas é bem mais confortável. E cheguei com garra, determinação e respeito, principalmente respeito.
Pois durante todo esse ano, todas as vezes que cozinhei, nunca faltei com ele aos alimentos que por mim foram preparados, pelas minhas mãos não foram maculados, nem sofreram maus tratos. Como sofrem os scripts nas bocas de Xuxa Meneguel, Angélica e Eric Marmo.
Ao longo desse ano, cresci, evolui, saí do nível Paloma Duarte de atuação e cheguei no Gabriela Duarte com louvor e estou quase pronto para ingressar no nível Débora Duarte, na Escola Duarte's Dramáticas. Me tornei pai, senti que não posso mais errar, tenho alguém que depende de mim, tenho que sempre olhar para frente, andar de cabeça erguida como faz José Sarney, sem medos, sem escrúpulos, sem vergonha, filho da puta, ainda por cima é imortal, pagou quanto pela cadeira? Pagou nada, roubou, pegou a força de algum velho.
Enfim, aprendi muito mesmo nesse ano, a paternidade lapidou minha paciência, e exercitou minha humildade, por isso entendi que tenho que valorizar meus bravos e criativos adversários.
Seja ele negro ou branco, mulher ou homem, porco ou peixe, o importante é que estamos no Brasil somos todos irmãos e no final tudo acaba em pizza.

Por isso mostro e saúdo o primeiríssimo lugar, no alto do pódium, porco pizza.


Segundo lugar, mas não muito longe, bem pertinho, quase empatado, peixe pizza.


Terceiro lugar, e muito feliz com isso, Pão Pizza ou Bruschettão.

Ingredientes:

• 1 pão italiano, tipo filão.
• 5 tomates picados.
• 5 dentes de alho, picados.
• Azeite de oliva.
• 150g de queijo prato.
• 150g de queijo mussarela.
• Queijo parmesão, de preferência ralado na hora, de 50 a 100g.
• Manjericão.
• Pimenta do reino.

• Sal.

Só que antes do habitual vídeo modo de preparo, produzido pela Vergonha Alheia Própria Produções, que este ano contou com o maravilhoso apoio da EADM,D,X&R (Escola de Artes Dramáticas Marmo, Dolabella, Ximenes & Reymond), Escola Duarte's Dramáticas e os workshops de atuação "Um Garanhão Se Faz Com Um Limão", com o professor Zé Mayer e "Não Estou Gritando, Só Estou Atuando", com Tais Araujo e Camila Morgado.
Meu muito obrigado também a todos que acompanham o blog, amigos queridos para quem tenho muito prazer em cozinhar, que 2010 seja tão espetácular como foi 2009, um ano que marcou pelo surgimento do blog o nascimento da minha filha comemorando meus oito anos de casamento e de idade da minha cachorra e filha mais velha Baba.
Por isso Feliz Ano Novo, e que 2010 seja bem mais que 10!!!
(frase Bial, no final).





terça-feira, 15 de dezembro de 2009

SE HAY FILÉ, SOY CONTRA!!




















Vamos falar de carnes!
O contra filé é uma carne proletária, classe média, quase alta.
Não é o rico e sofisticado filé mignon, e nem chega a ser o primo pobre e sempre sem dinheiro, coxão duro.
Aliás na Argentina o contra filé é muito apreciado mas com o nome de lomo. Lomo é um pedaço de carne com uma pequena capa de gordura, muito suculenta e saborosa, nada a ver com essas camerinhas de plástico que fazem a cabeça da galera hypster ou hype, pessoas que se alimentam de tendências, mas quase sempre estão atrasadas quando estas moram no Brasil, ou porque algum gringuinho mais sofisticado, que outro, com mais dinheiro e seguidores no twitter resolve usar uma echarpe rosa com plumas, um bigode e ressucitar um walkman de fita K7, daí todos eles e elas entram em parafuso e as lojas lucram.
O contra filé é um corte retirado perto do lombo da Geisy Arruda, opa, sem ofensas as vacas, desculpem. Como Paulo César Peréio já disse um dia numa de suas entrevistas...
"A carne viva ou morta tem que ser respeitada."
Quando viajei para a Argentina e lá comi muito bem, me deparei com os mais incriveis sabores.
Lá a carne é muito bem tratada e admirada, creio que até mais que na Índia. O nomes que cito, lomo, chorizo fizeram parte do meu cardápio diário. E claro que uma perguntinha aqui, outra ali, enquanto comia nos restaurantes, me ajudou a desvendar alguns segredos do preparo dessas carnes. No Brasil tive apenas que traduzir esses nomes, nada que o google não forneça.
Do mercado para a casa é só colocar tudo em prática, acrescentar algum segredinho de mãe ou sogra, valeu dona Elusa, e esquentar a chapa.
No post mostro que o segredo para um bom bife está nas suas mãos, tão perto e você não sabia.
Fico com as palavras do poeta Humberto.

"Nem tão longe que eu não possa ver
Nem tão perto que eu possa tocar
Nem tão longe que eu não possa crer que um dia chego lá
Nem tão perto que eu possa acreditar que o dia já chegou"

Sem mais delongas vamos a outro filme espetácular, da Vergonha Alheia Própria Produções, para gravar esse post tive vídeo-aulas com mestre da vergonha alheia, Marcos Mion em suas brilhantes atuações no seriado Sandy e Junior e claro o apogeu de sua carreira de ator, a novela Bicho do Mato da Record. Aliás ele poderia ter ficado lá no mato mesmo.

Ingredientes:

• Contra filé, um bife com espessura de mais ou menos um dedo.

• Uma pitada de açucar.
• Sal a gosto.
• Azeite de oliva.


Modo de preparo:




Recapitulando, os pontos da carne estão na mão.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

HISTÓRIA VERDADEIRA UM POUCO INVENTADA DO CARRETEIRO.






















O arroz de carreteiro é um prato muito importante na culinária gaúcha. Está ligado a essa cultura tanto quanto o chimarrão e o churrasco. Na verdade o arroz de carreteiro é a vida após a morte do churrasco.
Depois daquele almoço farto de domingo, onde o gaúcho se empanturra de carne, o que ele não conseguiu engolir, que sobrou por um erro de cálculo, de noite vai se transformar no arroz de carreteiro.
Lembro dos acampamentos com os amigos, onde tive minhas primeiras lições de culinária, os mesmos erros de cálculos aconteciam garantindo o cardápio da noite. Aliás certa vez num acampamento o amigo encarregado do carreteiro daquela noite pergunta ao cozinheiro mais experiente que no dia estava de folga:
– Tchê, mas quantas xícaras de arroz boto para fazer o carreteiro?
O cozinheiro com experiência e com fome, mas sem paciência responde...
– Bah loco, só eu como uma!
Ele conta então oito pessoas no acampamento, e coloca numa pequena panela a quantidade que julga correta. Vinte minutos depois a panela transborda, a cena é hilária todos sentados olhando, esperando pacientemente o arroz ficar pronto e veem a tampa da panela subindo lentamente, cada um com sua cerveja, rindo do espetáculo, enquanto o cozinheiro inexperiente esbraveja, e culpa o outro.
O sabor orginal do carreteiro vem do charque, carne salgada e muito deliciosa.
Era produzida nas charqueadas e consumida por todos brasileiros, mais precisamente os escravos, era o alimento que ia pra as regiões que produziam café e cana-de-açucar e para a região mineradora. O charque foi o responsável pelo crescimento da economia gaúcha, no entanto o charque gaúcho tinha preço maior ou similar que o produzido no Uruguai ou Argentina, devido a onerosas taxas tributárias instituídas pelo império aos estancieiros gaúchos, o que deixava o custo da alimentação dos escravos bem maiores para o resto do Brasil, pois o charque era o alimento das senzalas. Então para o resto do país era muito mais vantagem comprar dos hermanos, que com o dinheiro compraram instrumentos musicais, montaram uma banda, e gravaram o sucesso Ana Julia.
A Província de São Pedro do Rio Grande Sul, ficou indiginada, pois a música além de horrível foi financiada com um dinheiro que poderia ser utilizado de uma maneira muito melhor pela província, que então declarou guerra e passou a se chamar República Riograndense de 1835 a 1845, tempo que durou a revolta contra o Império – Me nego a fazer uma piada de nerd.
Até hoje este prato é muio apreciado no Rio Grande do Sul, uma receita que passa de pai para filho, pela sua simplicidade e claro pelo sabor incrível. Meu pai sempre fez um carreteiro de charque espetácular, elogiodado por muitos, lembro de ficar ao seu lado, roubando pedaços crus de charque, pegava alguns cubos da tábua onde ele cortava, e saia bem faceiro degustando essa especiaria gaúcha, depois voltava e repetia a façanha, até ouvir um...
– Sai daqui guri de merda, senão te corto os dedos.
Hoje o Brasil todo consome, como faziam antigamente só os escravos, mas alguns restaurantes fazem de uma maneira mais requintada, metropolitana. Restaurantes charlatões preparam o carreteiro com bacon, pimentões, tomate, ervilhas e mais outros legumes frescos. Bobagem.
O carreteiro tem ser feito da maneira clássica.
Arroz, charque ou sobra de churrasco, cebola, alho e no máximo um pouco de salsa e cebolinha.
Lembrem, os clássicos nunca morrem, exceto quando são assassinados, como fizeram com as embalagens de fermento Royal e Maizena.

VOLTEI DE CARONA COM O CARRETEIRO.

















Eu voltei!
Saudades do blog, me afastei com um misto de licença paternidade e preguiça que se apossaram de minha pessoa.
Fiquei sim, trabalhando e curtindo nos momentos de folga minha querida, amada e bem feita filha Alice. Segui uma receita de muito amor, pornografia em super 8, pitadas de revistas suecas e 1kg de Carlos Zéfiro. Regada a muito Marvin Gaye e Barry White.
Volto, como diriam os tarados Dominguinhos e Nando Cordel, na canção:
"Trazendo na mala bastante saudades."
Mas nesse tempo todo que estive longe, estudei, aprendi e dominei receitas que virão impávidas como Muhammad Ali, virá que eu vi, tranquilas e infáliveis como Bruce Lee.
Receitas que cairão muito bem, como nosso poeta Caetano, autor das frases acima, em seus shows maravilhosos e escorregadios.
Para esse post-retorno, apresento o carreteiro de charque. Prato típico do Rio Grande do Sul, terra de Getúlio Vargas, Elis Regina, Gisele Bündchen e Jesus Cristo.
Essa iguaria gaúcha, o charque, principal ingrediente do arroz de carreteiro, foi um dos grandes motivos da Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha.
O nome arroz de carreteiro, é dado porque os pilotos das carretas, carros de bois que atravessavam o Brasil, sempre levavam consigo dois produtos abundantes do Rio Grande do Sul, arroz e charque para sua alimentação, a receita básica, sem frescura e muito saborosa será ofercecida agora pelo blog. Receita clássica.
No vídeo do modo de preparo apresento um almoço para 15 pessoas, a proporção é gigante, aqui descrevo uma receita menos numerosa, algo para 6 pessoas, o preparo é o mesmo.

Ingredientes:

• 500g de charque.

• 3 cebolas picadas
• 4 dentes de alho, picados

• 3 xícaras de arroz, parboilizado.
• salsa e cebolinhas picadas


O modo de preparo está no vídeo, outro da Vergonha Alheia Própria Produções.
Confira, mas já aviso, está uma merda.
Mas merda por merda, não perca Páginas da Vida com Taís Araújo, José Mayer e Thiago Lacerda.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

UMA PEQUENA PAUSA















Querida audiência do Culinária Tosca o blog vai passar por um pequeno recesso, coisa de algumas poucas semanas. Não que o sucesso tenha subido minha cabeça, longe disso, continuo o mesmo homem, tosco e humilde.
Digo, isto, pois quem me vê nas páginas da revista Imagine, na foto acima, pode pensar isso. Essa revista chegou na minha casa no dia 20 de julho, no mesmo dia em que eu, Lucia e Alice voltamos para ela.
Minha pequena pausa no blog se justifica porque, dia 19 de julho veio ao mundo meu melhor projeto, minha melhor receita, feita em conjunto com minha amada Lucia Farias, uma guria espetácular de nome Alice.
Conto aqui a breve história de Alice...
Motivos de sobra para eu me afastar, um pouquinho.

Nasceu nos embalos de sábado a noite, na verdade, domingo de madrugada, quando a festa está esquentando.
Partimos para a onda do parto humanizado, uma corrente muito legal, onde a prioridade é o parto normal, sem cortes, anestesias e tudo mais. O único analgésico é uma banheira com água a 37 graus.
Isto tudo seria feito em minha casa, mas algumas coisas não sairam como planejamos, Alice, assim como seu pai, tem muita sede, gosta de beber, e seu líquido amniotico estava abaixo do esperado para um parto em casa.
Na quinta feira estava em uma pauta e Lucia me liga dizendo, vamos para o hospital, sexta, dia 17, aniversário do meu estimado amigo, colega e irmão Bruno.
Fomos para o hospital que aceitaria nossa condição de parto humanizado, o São Camilo, mas não havia vagas no berçario, em nenhum dos três hospitais da rede, que nosso convênio pagava.
A única solução para o parto humanizado era o São Luiz, apenas ele aceitaria nossa equipe de parto do GAMA, grupo de apoio a maternidade ativa.
Mas o São Luiz, estava longe das nossas posses, o valor do parto é praticamente uma viagem a Europa, mas o bem de quem se ama não tem preço, pelo parto humanizado, pela saúde de minhas mulheres, diga a tesouraria do São Luiz que fico, pois como diria o sábio filósofo Tim Maia:
"Quando a gente ama, não pensa em dinheiro."
Lucia teve que induzir o parto, na verdade quem induziu foi a doutora Andrea. Fomos para o nosso quarto as 16 horas, hora que começou o trabalho de indução, depois de acertar tudo com a tesouraria, claro. Por volta das 19 horas chega a assistente da Andrea, Ana Cris que começa com os exames, e cuidados para um bom parto.
Então depois de 36 horas de medicamentos que antecipam contrações, Lucia foi para a banheira do delivery, lá estava eu, Dra Andrea, que me passa uma paz por ser parecida com a Jessica (uma colega minha de faculdade, a primeira a ser mãe de minha turma), Ana Cris e o pediatra Cacá, além de uma trilha sonora primorosa tocando no nosso I-pod, sucessos de Roberto Carlos, Mutantes, Jonhy Cash, Doors, Beatles, Stones, Ronnie Von, Bowie e muitos outros.
Mas gatinha estava cansada e nossa Alice não pode nascer na água, fomos para então para cadeira de parto, nesse momento fiquei nas costas de Lucia, eu era um encosto, dos bons, dando todo apoio, contando piadas internas, cantando as músicas baixinho no seu ouvido, canalizando a inutilidade masculina nessa situação em uma coisa boa, positiva.
Pois se você é homem se acha uma pessoa útil no mundo, espere até sua mulher ficar grávida.

Vocês não tem idéia da felicidade que tomou conta de mim quando ás 00:49 do dia 19 de julho nasceu Alice, ao som de Lovin' Spoonful, Daydream, depois My best friend do Jefferson Airplane e Jorge Ben com Eu Vou Torcer.
Foi tudo muito mágico, a melhor e maior sensação da minha vida.
Nenhuma droga, comida, sexo, (bom isso não posso afirmar com tanta propriedade, pois a concepção de Alice, aaaaahhhh), enfim, dá o barato do nascimento de um serzinho tão especial.
Com cordão e tudo foi entregue em nossos braços, ficamos com ela por longos quinze minutos de muita fama. E eu cortei o cordão no final, os médicos fazem isso para que a gente não se sinta tão inútil.
Ainda há muito o que contar, mas como disse, essa é uma breve história.

Mas para você querido leitor, não ficar sem receita, aqui vai o vídeo do Caldo de Pequenita, ou Sopa de Guria Linda.
Bom filme!